Tenho utilizado investimentos no exterior na construção de portfólios há algum tempo e, recentemente, reli um estudo da FGV de 2024 chamado O impacto cambial no consumo dos brasileiros e a necessidade de diversificação internacional.
Uma das partes importantes do estudo foi a discussão sobre o que significa, de fato, proteger o poder de compra do investidor brasileiro. Uma parcela do consumo doméstico é influenciada pelo câmbio e, portanto, uma carteira totalmente concentrada em ativos em reais não está obrigatoriamente protegendo o investidor de toda a inflação que afeta seu padrão de consumo. Os autores chegam a estimar uma alocação mínima necessária de 16% em ativos no exterior, podendo chegar a 17%–18% nas faixas de renda mais altas.
Evidenciando essa limitação, a análise aponta que a variação do dólar nos dez anos encerrados em agosto de 2024 superou o rendimento do Tesouro IPCA+ 2040 por uma margem de quase duas vezes.
Até aqui, a conclusão sobre a importância da exposição cambial – e internacional – parece bastante tranquila.
Entretanto, penso que a grande questão está em como implementar a exposição cambial na construção de portfólios na prática.
Para um perfil mais arrojado, essa exposição pode ser construída de forma bastante natural por meio de ações e outros ativos internacionais – seja via ETFs, fundos, BDRs via Brasil ou diretamente com conta no exterior. Já para um investidor conservador (foco que quero trazer para esse post), a equação fica mais delicada.
Uma posição sem hedge cambial ajuda a proteger o patrimônio contra a desvalorização do real, mas adiciona volatilidade. Por outro lado, uma posição com hedge tende a preservar melhor a característica defensiva da carteira e pode capturar o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, mas reduz justamente a proteção cambial que estamos buscando.
É um trade-off que considero relevante na construção de portfólios mais conservadores: proteger o poder de compra e diversificar o “risco Brasil” de um lado, controlar a volatilidade e, ao mesmo tempo, aproveitar o diferencial de juros de outro.
Por isso, não vejo a diversificação internacional apenas como uma questão de definir um percentual em dólar. A questão mais difícil é decidir como essa exposição deve ser construída — e isso muda bastante de acordo com o perfil, os objetivos e a estrutura de cada carteira.
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Link com o estudo completo realizado pela FGV: https://eaesp.fgv.br/sites/default/files/uploads/impacto_do_cambio_no_consumo_do_brasileiro.pdf
*Esse post é educativo e informativo e não possui qualquer recomendação de investimentos.
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Florianópolis, 11 de setembro de 2026.
Por Maurício Cardoso, CFP®
