O “resto” importa?

Em reunião, nessa semana, com um grande investidor que veio até mim, ouvi o seguinte:

“No fim das contas, o que importa é a rentabilidade. O resto é discurso.”

Esse investidor mencionava o “resto” como sendo obter real clareza sobre o seu patrimônio, saber onde está investindo e por quê, ter plena confiança em quem está o assessorando.

Eu concordo. Rentabilidade importa. Mas, o “resto” não é só discurso.

Pensemos: Por que as decisões equivocadas ao longo do tempo não têm a mesma importância da “rentabilidade”?

Quero dizer: quanto se perdeu com más decisões ao longo dos anos? Quanto se perdeu investindo em ativos que não faziam o menor sentido para o perfil de risco e momento de vida desse investidor? Essas questões, obviamente, devem fazer parte do cálculo da rentabilidade, mas, comumente, não estão no radar nem mesmo de investidores com patrimônios relevantes.

Independentemente do patrimônio, alguns equívocos aparecem com surpreendente frequência:

. Troca de estratégia em momento inoportuno (gerando impostos desnecessários);
. Risco mal dimensionado/mal explicado;
. Concentração excessiva em determinadas classes de ativos;
. Indicações enviesadas;
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Um bom resultado final, portanto, deve levar em consideração, no mínimo: (a) qual o risco que foi assumido para gerar tal retorno; (b) se o risco assumido era compatível com o perfil de risco e a estrutura patrimonial e familiar do investidor; e (c) quanto se perdeu/deixou de ganhar com decisões incoerentes ao longo do caminho.

Florianópolis, 13 de fevereiro de 2026.

Por Maurício Cardoso, CFP®