Perspectivas econômicas para 2026: riscos e oportunidades

No exterior, especialmente nos Estados Unidos, poderemos ter um ambiente expansionista tanto pelo lado fiscal quanto monetário: entre algumas das medidas estão a promessa de Donald Trump de pagamento de US$ 2 mil para os cidadãos norte-americanos, o plano de redução de impostos e o novo presidente do Fed que deve trazer um olhar mais dovish para os juros. Pensando em inflação, embora não esteja assim tão comportada quanto possa parecer, é nítido que o Fed tem se preocupado muito mais com o mercado de trabalho. Com isso em mente, espera-se que os ativos de risco tenham ainda mais espaço para crescer em 2026.

Entretanto, é importante enfatizar que para analisar o cenário de forma mais ampla, é fundamental levarmos em consideração algo que cresceu exponencialmente nos últimos anos: a dívida global. A dívida mundial não só cresceu, mas teve um aumento no seu custo (tendo como base o Yield do Treasury 10y) de aproximadamente 50% desde o pré-pandemia Covid-19. Isso posto, trago duas de várias outras questões possíveis aqui: serão os mercados capazes de sustentar um crescimento elevado no próximo ano e seguintes? Investidores continuarão a acreditar e confiar na capacidade inovativa das empresas de IA (magnificent seven)?

Por aqui, teremos um ano de eleição presidencial que, historicamente, adiciona mais volatilidade aos mercados. Apesar disso, algo parece bastante claro: os juros devem cair em breve. Talvez, os juros já poderiam ter caído. É fato que o juro real brasileiro na casa dos 9% -consideravelmente restritivo – já começa a afetar, mesmo que de forma incipiente, o mercado de trabalho. Mais do que isso, pedidos de recuperação judicial pelas empresas e problemas em ativos de crédito se tornam cada vez mais frequentes. Mas e a inflação? Não obstante a melhora verificada neste ano, é provável que a queda de juros nos Estados Unidos em curso também nos ajude nesse processo de busca por preços internos mais comportados.

E a questão fiscal brasileira? Penso que revisitar e ser mais crítico com subsídios e incentivos fiscais seja uma alternativa interessante (é bem verdade que algumas medidas já estejam caminhando nesse sentido). Outra, é ser também criterioso com outras partes do orçamento federal: devido ao crescimento contínuo das despesas obrigatórias e, mais recentemente, das emendas parlamentares, o espaço para investimentos via despesas discricionárias não direcionadas se tornou cada vez mais reduzido. Já pelo lado do investimento privado, a simplificação tributária, redução de burocracias e melhora do ambiente de segurança jurídica são fatores primordiais para um incremento de participação consistente e mais robusto.

Apesar das fragilidades no campo fiscal, destaco que podemos ser – com medidas certas – destaque positivo em áreas globais fundamentais como transição energética, meio ambiente e mudanças climáticas e segurança alimentar.

E quanto aos ativos?

Penso que, na hora de fazer suas escolhas e montar o portfólio de investimentos, cada investidor deve levar em consideração o seu momento de vida, seus objetivos, sua condição patrimonial e familiar, seu horizonte de tempo e seu perfil de risco. Não existe carteira modelo padrão, existe estratégia coerente com a realidade de cada um.

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Desejo um 2026 repleto de coisas boas para todos!

Florianópolis, 29 de dezembro de 2025.

Por Maurício Cardoso, CFP®